Terça-feira, Maio 26, 2009

Querido blog,

Faz um sol deslocado na cidade-sorriso. Os pássaros cantam com uma animação pouco típica para uma terça-feira de outono, mas mesmo assim o clima aqui é cinzento. Minhas energias estão sendo sugadas por um vórtex matinal que me consome gradativamente nesses tijolos-amarelos, nessas paredes verdes, nessas batucadas, nesses chorinhos. Nas últimas semanas, e tenho certeza que nas próximas, faz-se difícil pensar em outra coisa que não seja minha redenção espiritual, mas mi’alma se alivia por saber que tudo a partir de agora é temporário. Eu gosto de efemeridades. Me senti presa a métodos tão concretos e eternos que me assustei, tive medo de ser mais uma daquelas pessoas que passam a vida toda completamente infelizes fazendo o que não suportam, mas se sujeitam porque assim precisa ser. E às vezes precisa ser assim, simplesmente, sem mais nem menos, sem grandes pormenores ou explicações, e se passa uma vida inteira, a única que se tem, diga-se de passagem, “sendo assim” porque assim precisava ser. Pois esse acontecimento espetacularizado e supervalorizado que chamam de viver passa rápido demais para ser menosprezado em hábitos intransigentemente insatisfatórios, e eu não quero “ver a banda passar pela janela”, parafraseando Chico. E meu próximo objetivo é voltar a dormir 8 horas bem dormidas.


Clarissa Oliveira

Segunda-feira, Maio 25, 2009

Querido blog,

Se faz chuvosa esta segunda-feira na cidade sorriso. A visão é embaçada, o tempo não define-se em estar ou não. Assim como as caricaturas em sépia que me perseguem há tantos anos, sem se queixar ou elogiar. Eu acordo como todas as manhãs e repito meu ritual matinal de sobrevivência, com o desestímulo recorrente às segundas-feiras chuvosas e indefinidas. Que não muda muito nas terças-feiras ensolaradas, ou nas quartas nubladas, nas quintas encobertas de nuvens... Mas hoje há um estímulo diferente: existe forte e decidida a perspectiva de inovação. Acontece que prendi-me à rotinas que fogem de minha personalidade nômade por tempo demais, e agora chego à conclusão exata de que as maiores e talvez únicas alegrias da vida estão nos detalhes. E aí começo uma contagem regressiva que não diz respeito à outras pessoas, ao lugar onde trabalho, ou a meus colegas, ou com quem convivo, mas diz respeito única e simplesmente à mim, que ainda não aprendi a administrar uma série de pormenores internos recorrentes de inconsequências pessoais. Não no pior sentido, refiro-me àquelas inconsequências que não deixam cair no marasmo... talvez não seja esse o termo correto agora, mas nessa altura dos acontecimentos já não faz tanta diferença, desde que se subverta essa relação tempo-espaço-humanidade-vida. O ser humano sempre precisa tanto de estabilidade, sendo que a solução paratodososproblemasdomundo está em andar na corda-bamba.

Semana que vem eu recomeço. Serei mais um “jobless” nesse mundo de meudeus, mas com a certeza absoluta de que não estou inerte, o mundo se move tão rapidamente que sequer podemos notar, não faz o mínimo sentido estancar nessa roda-viva.


Clarissa Oliveira

Terça-feira, Abril 07, 2009

Se minha vida tivesse trilha sonora, certamente seria algo como Sufjan Stevens.

Sexta-feira, Janeiro 30, 2009

(su) foco

Eu acordo todas as manhãs e não sinto um pedaço de mim. Como um membro ausente. Como uma fotografia amarelada pelo tempo com figuras que já não existem mais.
Não há motivos para melancolias. O sol nasce, nós já não somos os mesmos, o ciclo se re-vira. re-vive.
Eu descasco lâminas de mim mesma e jogo pela casa, como um caminho a ser seguido. Mas quando volto não estão mais lá. Eu descasco lâminas de mim mesma e me fragmento. Não dói. Não é a dor ou o descaso do mundo que me consomem, mas acordar sem um pedaço de mim se torna incômodo. Eu preciso de um equilibrio independente do que isso possa acarretar à minha sanidade fisico-mental.

Sábado, Novembro 01, 2008

Eu descobri a essência superficial. Eu vi o desnecessário no limpido. Eu percebi que o mais efêmero é aquele que mais perdura, durante os séculos, durante a eternidade. Eu não quero glória alguma.
Eu quero o escárnio, eu quero a insastifação, eu quero o deboche. Eu quero os dentes amarelos que não se bastam. Eu quero o nascimento do feio, e o bizarro, a putrefação da carne, o desafeto. Eu quero beber da água pútrida jogada nos valos. Já não me basto com a personificação, com a idealização. Eu busco o vômito contínuo e visceral. Viva o asco, viva o detrimento. Me deixe morrer afogada em minha própria merda. EU posso.

Terça-feira, Outubro 14, 2008

http://desligamento.blogspot.com/

Segunda-feira, Setembro 29, 2008

Estou bem, muito bem, obrigada. Mas estou passando por uma crise criativa terrível, céus. Não escrevo mais, não toco mais, não leio mais. O que me falta? Acho que algum choque emocional grave para que o lirismo aflore em meu ser novamente. Que alma aflita e indecisa.




Esse post não significa que o blog tenha voltado. Significa que senti vontade de postar. Apenas isso. Só.